quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Estou na faculdade, não queria ter vindo hoje mas tinha um compromisso, entregar um trabalho. Como eu odeio compromissos, gosto de levar a vida numa boa, para onde o vento tocar, infelizmente o mundo não e assim as coisas não são assim. O mundo inteiro quer girar em volta de coisas certas, convenientes. Acabei saindo da sala sem apresentar o trabalho, não consigo mais ficar quieta assistindo apresentações de trabalhos mal feitos. Ai me deu vontade de descer abrir o notebook e escrever como escrevia antigamente, era tão simples eu sentava na frente do computador e tudo saia tão rápido, acho que deveria ter sido companheira dos ultra-românticos. No momento que mais sofri mais escrevi e coisas bonitas poemas de todos os estilos literários. Augusto dos Anjos ficaria orgulhoso de mim. Risos. Até parece. Hoje parece que nada que escrevo é bom, eu tento colocar meus sentimentos no papel de uma forma mais poética, afinal é maravilhoso. E leio, estou lendo cada vez mais, tudo que vejo quero ler para compensar a rebeldia dos anos passados.

Nossa era tudo brincadeira, não levava nada a sério e achei que com o passar do tempo isso fosse mudando. O problema é a minha não aceitação das coisas da vida. Não consigo aceitar que já sou mulher, ainda me sinto uma menina que pode cometer erros e não ser julgada. Sempre acho que o problema está nos outros que me julgam, se espantam com meu jeito de ser. Mas não ainda não me aceitei em tudo, está sendo difícil aceitar isso, descobrir meus defeitos, meus medos, fraquezas em uma tarde se sexta-feira. Eu e minha psicóloga, tentando abortar todos esses sentimentos que me perturbam, e é tão difícil, doe fazer escolhas, doe aceitar que minha vida é pura interrogação, afinal, não tenho certeza de nada, não sei o que quero. Quando penso que resolvi, chega o dia da terapia e lá no fundo não é nada disso. E eu só sei dizer: Não o que quero.

Adoro aconselhar amigas, brigo com algumas, fico indignada com certas atitudes delas, mas quem sou eu para ajudar? Aquela que tem uma casca tão dura, que não aceita nem ao menos pensar em se apaixonar novamente, tem medo do amor, cada dia que passa mais desconfiada das pessoas. Como ajudo se não sei o que é me doar a uma pessoa? Estou afunilando, diminuindo meu mundo minha vontade é de deixar bem pequeno. Havia tanto tempo que eu não pensava em morte, e há mais ou menos duas semanas (eu acho), a vontade voltou, eu nem sei se queria morrer(até nisso estou indecisa), mais queria ficar fora do ar um pouco, um pouco não alguns dias, e o máximo que consegui foi um dia, não me arrependo, ainda preciso sinto que estou chegando no limite outra vez, e como reverter isso? Não sei.

Já cansei de ouvir as pessoas dizerem você tem que tentar, é jovem, procure um emprego, faça obras sociais, se exercite. É fácil né? Para que está de fora. A vontade que tenho é de ficar em casa quieta sem conversar, ficar no meu quarto ouvindo minhas musicas, viajando nas letras, escrevendo (pelo menos tentando). Quanto ao emprego eu tenho medo, é. Simplesmente tenho medo, não sei se vou dar conta do recado, e eu penso como eu era antes, tudo que queria consegui, nunca tive medo, vestibular fui uma das únicas a passar em uma universidade pública, meu emprego ganhei na cara dura e estudei e muito e aprendi posso falar que fui uma boa profissional. Caramba quanto às obras sociais, não tenho paciência eu já preciso de ajuda é uma idéia totalmente egoísta eu sei mais eu tenho que ser um pouco, já me dei demais, perdi minhas energias a toa. Cara e quanto aos exercícios eu não tenho vontade nem de m levantar de uma cama, acha mesmo que consigo fazer uma caminhada? Adoro me exercitar, estou acomodada, desde o começo do ano sem fazer nada, sinto que estou precisando meu corpo mudou muito depois de todas essas fases que passei, e já não tenho dezessete anos, malhava e ficava tudo em cima (quem vê até parece que tenho idade horrores), mas já dá para sentir a diferença.

Os vinte três já chegaram e o que eu tenho? Nada! Ainda faltam dois anos para me formar, não tenho um emprego, nem um carro, minhas amigas se casando, não que eu queira me casar, mas é estranho. Ainda tenho a idéia de nós adolescentes. Sou tão moleca que as vezes quando me dou conta,penso: Putz olha só o quanto minhas amigas amadureceram.

Eu preciso de metas eu sei disso, preciso tentar, preciso coragem, força e compreensão.

PS: Texto sem noção por falta de idéia para escrever minhas poesias. Ai que ódio!!


Já é madrugada de quinta, sem sono, claro acordei às quatro da tarde. Televisão ligada no modo “mude”, esperando por meus seriados policiais. Lendo a tese da Elenita muitas coisas que ainda não entendo (é loucura), e outras que começo a pegar o jeito. Para descansar estou lendo partes do blog, interrogações o que a gente precisa para ser feliz? Cara todo dia me pergunto isso, ainda não tenho esse contentamento “que todo mundo” aparenta ter, sempre falta alguma coisa. Quero morar sozinha outra vez, ter meu dinheiro, mesmo que seja pouco, ter liberdade, ser bicho solto. Às vezes quero ter alguma pessoa mas é tão complicado isso, na verdade eu sou a peça complicada de toda historia. A terapia está me fazendo falta, estou meio perdida no tempo. Não tenho para quem me abrir, e nem quero prefiro que seja uma profissional para saber minhas fraquezas a serem amigos ou família. Minha desconfiança com as pessoas voltou, não consigo ver verdade em ninguém, sou tão diferente de todos e isso me irrita, indigna, por que ao mesmo tempo em que isto ocorre a errada sou eu, meus conceitos sobre o mundo, sobre sociedade são outros, que considero sensatos diante de como estamos vivendo hoje.
Ouvindo Emmerson Nogueira agora, músicas de sentido totalmente românticas fazem com que pense em algumas pessoas e isso não fica nada bom, esse negócio de ser muito musical acaba comigo, basta uma musica que me lembre um simples momento, me arrebenta totalmente é incrível. Hoje mesmo ouvindo musica que sempre ouvia com amigos da faculdade, deu saudade de sentar na frente da republica com Fred tocando “Garotos”, “Refrão de um Bolero”, “Preciso Dizer que Te Amo”, “A dois Passos do Paraíso” e outras que me deixam tão melancólica. Tudo que tinha lá era tão importante para mim, e não tinha noção, às vezes tenho a sensação de que a coisa mais errada que eu fiz foi voltar. Aqui tenho amigos, mas amigos que não são muito compatíveis, quero meus amigos que gostam de tomar banho de cachu, contemplar a natureza, juntar moedas para tomar coca- cola e achar a melhor coisa do mundo, ficar conversando horas e horas tomando cerveja barata por que o que importa mesmo é a companhia e não o status. Amo a diversidade dos meus amigos suas particularidades, e hoje estou tão triste, alguém pode me responder se a minha felicidade está próxima?
Espero ansiosa. Um texto meio sem noção, mas eu acho que é isso mesmo.
Quero minha vidinha de volta, minha pequena casa, minha solidão.

PS: não me lembro a data e escrito no diário musical.