quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Canção do amor sereno

Vem sem receio: eu te recebo
Como um dom dos deuses do deserto
Que decretaram minha trégua, e permitiram
Que o mel de teus olhos me invadisse.

Quero que o meu amor te faça livre,
Que meus dedos não te prendam
Mas contornem teu raro perfil
Como lábios tocam um anel sagrado.

Quero que o meu amor te seja enfeite
E conforto, porto de partida para a fundação
Do teu reino, em que a sombraSeja abrigo e ilha.

Quero que o meu amor te seja leve
Como se dançasse numa praia uma menina.

lya luft

domingo, 21 de dezembro de 2008

Será que longe,ouves a mesma cançao?

Aquela em que te amo, que sempre cantarei
Alegremente, pra toda a gente
Em que te amo assim, perdidamente
No que por ti, me transformei...
Será que longe, ouves a mesma canção?
Aquela humilde, que me põe no teu coração...
Mostra-me como posso te amar,
Que trovão devo silenciar,
Que montanha devo erguer,
Que rimas te escrever...
Será que longe, ouves a mesma canção?
Aquela bonita, que me põe no teu coração...
Aquela que fala de saudade, amor e sentir
De saber amar, que não é fácil ou do vazio
De deixar amar, de nadar contra o rio
Aquela que ouves e te faz sorrir...
Será que longe, ouves a mesma canção?
Aquela profunda, que me põe no teu coração...
Que te sussurra para ligares pra mim
Que te dá uns arrepios bons...
Que te faz amar-me assim...
Que te faz sentir perfeita, mesmo nos tons...
Será que longe, ouves a mesma canção?
Aquela fácil, que me põe no teu coração...
Que te faz esquecer de ti própria
Que faz de todos, um dia perfeito
Que te faz olhar pra tudo de outro jeito
Que te faz sonhar, de noite ou de dia...
Que te faz sentir tão bem, tão amada
Em um dia perfeito, infinito
Em que foste feliz, acordada
Que torna tudo tão simples, tão bonito...
Será que longe, ouves a mesma canção?
Aquela alegre, que me põe no teu coração...
Aquela que te faz perder as chaves de casa
O chão, as palavras e a concentração
Perguntar onde estou agora...
Se te tenho no coração...
Depois de achar, depois de experimentar
O amor sobre as ondas do mar,
De noite se escapa, um suspiro
Um “ai”, que te tiro...
E aquela canção, que longe estás a escutar
É súplica do teu coração, pra me amar...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma,
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não

manoel bandeira

Mirada secreta

Foram-se
os amores que tive
Ou me tiveram. Partiram
Num cortejo silencioso e iluminado.
A solidão me ensina
A anão acreditar na morte
Nem demais na vida: cultivo
Segredos num jardim
Onde estamos eu, os sonhos idos,
Os velhos amores e os seus recados,
E os olhos deles que ainda brilham
Como pedras de cor entre as raízes.

lya luft

domingo, 12 de outubro de 2008

No Elevador do Filho de Deus

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas
Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressucitada
passaporte sem mala com destino de nada!


A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento
Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!
Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda
uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois ter um produto com maior resistência
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela
corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha e merecida
pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?"
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:
- Não, tava só deprimida.
(elisa lucinda)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Quem avisa amigo é
Eu não aviso, sou colega
Já avisei e to cansado
De avisar a quem não pega
O que o vento sopra fácil
Sussurrando ao pé do ouvido
Quantas chances tem a vida?
Qual a fé que faz sentido?
Vê se vê o que ta na cara
Seja lá o que isto for
Vê se guarda a jóia e pára
De cavar o que já achou
Eu não to avisando nada
Sou colega e dou no pé
Qualquer coisa, não me avisa
Quem avisa amigo é...


oswaldo montenegro

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Guardei-me para ti

Guardei-me para ti como um segredo
Que eu mesma não desvendei:
Há notas nesta guitarra que não toquei,
Há praias na minha ilha que nem andei.


É preciso que me tomes, além do riso e do olhar,
Naquilo que não conheço e adivinhei;
É preciso que me ensines a canção do que serei
E me cries com teu gesto
Que nem sonhei.


Lya Luft

quinta-feira, 19 de junho de 2008

pensamentos...



''Eu vou mal e irei pior ainda mas aprendo pouco a pouco a ser só, e isso já é alguma coisa, uma vantagem, um pequeno triunfo.''


(Frida Kahlo)





''Me parece que a coisa mais importante na Gringolândia é ter ambição e se tornar 'somebody', e francamente, não tenho a menor ambição de ser ninguém.''


(Frida Kahlo)

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Resultado

Onde esta a imaginação
que em minha mente
borbulha?
Transbordando-me de
insensíveis dizeres
Desfazendo qualquer ser
independente de graus.
Pobre insensivel verme
inutil criatura.
Divida entre o bem e o mal
Ai de mim q sou o total!!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Bem no fundo

No fundo, no fundo, bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.


(Paulo Leminsk)

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Ausência
Por muito tempo achei que ausência é falta
E lastimava, ignorante, a falta..
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
Ausência é um estar em mim.
E sinto-a tão pegada, aconchegada nos meus braços
Que rio e danço e invento exclamações alegres.
Porque a ausência, esta ausência assimilada,
Ninguém a rouba mais de mim.


(Carlos Drummond de Andrade – Com o pensamento em Ana Cristina)

Constancia...

Sempre nesse giro
Sofre e chora
Cora e logo desabafa
O papel é o "ouvinte"
Quem lê se enlouquece
o louco sou eu
eu quem sofro
Sou eu quem chora,
Desabafa e ouve
Nesse giro constante
Sofre,
Chora,
Desabafa e
Ouve...
Doidivanas???

*Lembranças de conversas nossas*

Como um repressor
o tempo aos poucos me cala
totalmente repreendida pela fôrma social
O amadurecimento forçado arrasta
tento me agarrar à principios meus.
vivendo como uma "militante",
Vista como uma "feminista"? Talvez...
Se esquece todas as emoções
Será uam visionaria dentro de um mundo promiscuo?
em palavras alheias, algo mais agrassivo.

Dia Cinzento

Mesmo com meus sentimentos amenizados,
a solidão me incomoda
Como se um eu antigo estivesse se
esvaindo, perdendo totalmente minha
essencia.
Aquela velha excêntrica menina dá
lugar a uma incognita.
Intrigando-me ao ponto de criar
um refúgio, onde abro as portas
e libero as indiferenças, as interrogações.
Ao ver a realidade as tranco. Impondo
barrreriras necessarias.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Último canto do cisne




Quando eu morrer, não chorem minha morte,
Entreguem meu corpo à sepultura;
Pobre, sem pompas, sejam-lhe a mortalha
Os andrajos que deu-me a desventura.


Não mintam ao sepulcro apresentando
Um rico funeral d'aspecto nobre:
Como agora a zombar me dizem vivo,
Digam-me também morto - aí vai um pobre!


De amigos hipócritas não quero
Públicas provas de afeição fingida;
Deixem-me morto só, como deixaram-me
Lutar contra a má sorte toda a vida.

[...]

Laurindo Rabelo

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Reconstituição

Tive de repente
saudade da bebida que eu estava bebendo...
tive saudade e tentei me lembrar que gosto faltava,
qual era a bebida...
Fui procurando entre copos e móveis
e dei com sua boca.
A saudade era dela
A bebida era o beijo.


elisa lucinda

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Gastei uma hora pensando um verso
que pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.


Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 2 de abril de 2008




Não sou a areia

onde se desenha um par de asas

ou grades diante de uma janela.

Não sou apenas a pedra que rola

nas marés do mundo,

em cada praia renascendo outra.

Sou a orelha encostada na conchada vida,

sou construção e desmoronamento,

servo e senhor, e sou

mistério


A quatro mãos escrevemos este roteiro

para o palco de meu tempo:

o meu destino e eu.

Nem sempre estamos afinados,

nem sempre nos levamos a sério.

Lya luft

terça-feira, 25 de março de 2008

Existe um lugar que caiba minha vida
Existe remédio pra cuidar das minhas feridas
Momentos de tédio me dão ansiedade
Não posso parar de lutar pra bancar a minha felicidade...

Linox
Vate não sou, mortais; bem os conheço;
Meus versos, pela dor só inspirados,
Nem são versos- menti- são ais sentidos,
Às vezes, sem querer, d'alma exalados;

Laurindo Rabelo

quarta-feira, 19 de março de 2008

desa[bafar][guar]

Escrever em papeis escondidos,
compor palavras estranhas
isso me dissolve, e basta
o amanhecer do dia
e minha matéria se
refaz em angustias...

Macrislla Melo

...só ficar...








Quero ficar
Deixar tudo isso como está
Quero voar sobre esse céu
Sem brilho
Quero pensar no amanha sem angustia
Implorar pro futuro estar ao meu lado
Segurar nas mãos o impossivel.

Macrislla Melo

quinta-feira, 13 de março de 2008










"Mas se eu gritasse uma só vez que fosse, talvez nunca mais pudesse parar. Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber; mas só enquanto eu não assustar ninguém por ter saído dos regulamentos. Mas se souberem, assustam-se, nós que guardamos o grito em segredo inviolável. Se eu der o grito de alarme de estar viva, em mudez e dureza me arrastarão pois arrastam os que saem para fora do mundo possível, o ser excepcional é arrastado, o ser gritante."A Paixão Segundo G.H. - Clarice Lispector

terça-feira, 11 de março de 2008

A dor




Chama-se a Dor, e quando passa, enluta

E todo mundo que por ela passa

Há de beber a taça da cicuta

E há de beber até o fim da taça!

Há de beber, enxuto o olhar, enxuta

A face, e o travo há de sentir, e a ameaça

Amarga dessa desgraçada fruta

Que é a fruta amargosa da Desgraça!

E quando o mundo todo paralisa

E quando a multidão toda agoniza,

Ela, inda altiva, ela, inda o olhar sereno

De agonizante multidão rodeada,

Derrama em cada boca envenenada

Mais uma gota do fatal veneno!


Augusto dos anjos

segunda-feira, 10 de março de 2008

Inefável


Nada há que me domine e que me vença
Quando a minh'alma mudamente acorda…
Ela rebenta em flor, ela transborda
Nos alvoroços da emoção imensa.

Sou como um Réu de celestial Sentença,
Condenado do Amor, que se recorda
Do Amor e sempre no Silêncio borda
D'estrelas todo o céu em que erra e pensa.

Claros, meus olhos tornam-se mais claros
E tudo vejo dos encantos raros
E de outra mais serenas madrugadas!

todas as vozes que procuro e chamo
Ouço-as dentro de mim, porque eu as amo
Na minh'alma volteando arrebatadas!



Cruz e Souza

domingo, 9 de março de 2008

sábado, 8 de março de 2008

No Auge dos meus vinte anos
Me vejo diante de um choro etílico
De uma volúpia triste
Tentando guardar inexoráveis sentimentos
Como um relicário de enganos
Me despencando em desilusões fatídicas
Maquiando o meu sorrir.


Macrislla Melo
2007

O ébrio

Bebi! Mas sei por que bebi!… Buscava

Em verdes nuanças de miragens, ver

Se nesta ânsia suprema de beber,

Achava a Glória que ninguém achava!

E todo o dia então eu me embriagava

- Novo Sileno, - em busca de ascender

A essa Babel fictícia do Prazer

Que procuravam e que eu procurava.

Trás de mim, na atra estrada que trilhei,

Quantos também, quantos também deixei,

Mas eu não contarei nunca a ninguém.

A ninguém nunca eu contarei a história

Dos que, como eu, foram buscar a Glória

E que, como eu, irão morrer também.

Augusto dos Anjos

Vesperas

"Amanha talvez a alegria
consiga disfarçar, ou
influênciar ainda mais
esse sentimento últil
a minha vunerabilidade. "

Macrislla Melo
15/02/08

Meus medos

Se a palavra medo disse
Algo que me complete
Pensaria em tudo, no meu eu
Na minha vida
Nos meus anseios
aqueles que me pertubam
A coragem que me aplicaram
O medo do morrer
O medo do andar
De querer suportar
Ainda que a complicaçao da vida
Me disponha de tal forma
Ainda que o medo da realidade
Me surprienda

Macrislla Melo

caixinha

Uma caixinha
Uma caixinha vermelha
Vermelha é a caixinha
É a caixinha choroza
Lagrimas da caixinha
Caixinha da dor
Dor da caixinha
Ela é minha
Mas você pegou.

Macrislla Melo
Me torne cética dianate do amor
O que fizeste comigo?
Talvez já te interroguei
O que importa agora não é isso
São os olhos vermelhos
É a culpa do errado
O coração despedaçado
As incertezas perante a vida
Os amores apavorados
O segredo apertado
A realidade que persegue
Disso tudo quero esquecer
Uma vida nova deve aparecer.


Macrislla Melo
Uma dor, uma tristeza
Não sei ao certo
Mas machuca
Invade o ímpeto de minha alma
Corroe minha fonte de vida
enobrece meu mais sujo pecado
A fraqueza é sempre vista
Como uma simples virtude
O amor, a alegria, a sinceridade
Num retrocesso piedoso
Amargura constante
Aflição atenuante.

Macrislla Melo

sexta-feira, 7 de março de 2008

outono

E nesse mar de saudade
Da alegria nao se faz realidade
Tudo que tenho sao lembranças
Sonhos que ja se perdem
Sao cançoes ja acabadas
Se te gostei ja me esqueci
Se te amei ainda estas aqui
No abraço apertado o calor é o que guardo
Dos beijos são delirios, desesperos
E nesse mar de saudade
Você que quero
Você que é minha verdade.

Macrislla Melo

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"Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas… Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia….” (Friedrich Nietzsche)

Divã Impróprio

E é nesse divã impróprio que eu despejo as minhas sentimentalidades