quinta-feira, 5 de junho de 2008

Último canto do cisne




Quando eu morrer, não chorem minha morte,
Entreguem meu corpo à sepultura;
Pobre, sem pompas, sejam-lhe a mortalha
Os andrajos que deu-me a desventura.


Não mintam ao sepulcro apresentando
Um rico funeral d'aspecto nobre:
Como agora a zombar me dizem vivo,
Digam-me também morto - aí vai um pobre!


De amigos hipócritas não quero
Públicas provas de afeição fingida;
Deixem-me morto só, como deixaram-me
Lutar contra a má sorte toda a vida.

[...]

Laurindo Rabelo

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