terça-feira, 11 de março de 2008

A dor




Chama-se a Dor, e quando passa, enluta

E todo mundo que por ela passa

Há de beber a taça da cicuta

E há de beber até o fim da taça!

Há de beber, enxuto o olhar, enxuta

A face, e o travo há de sentir, e a ameaça

Amarga dessa desgraçada fruta

Que é a fruta amargosa da Desgraça!

E quando o mundo todo paralisa

E quando a multidão toda agoniza,

Ela, inda altiva, ela, inda o olhar sereno

De agonizante multidão rodeada,

Derrama em cada boca envenenada

Mais uma gota do fatal veneno!


Augusto dos anjos

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