sábado, 8 de março de 2008

O ébrio

Bebi! Mas sei por que bebi!… Buscava

Em verdes nuanças de miragens, ver

Se nesta ânsia suprema de beber,

Achava a Glória que ninguém achava!

E todo o dia então eu me embriagava

- Novo Sileno, - em busca de ascender

A essa Babel fictícia do Prazer

Que procuravam e que eu procurava.

Trás de mim, na atra estrada que trilhei,

Quantos também, quantos também deixei,

Mas eu não contarei nunca a ninguém.

A ninguém nunca eu contarei a história

Dos que, como eu, foram buscar a Glória

E que, como eu, irão morrer também.

Augusto dos Anjos

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